Fisioterapeutas e acadêmicos precisam “abraçar a profissão com calor humano”


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Alemã com naturalidade – e alma – brasileira. Dra. Monika Müller é pioneira na disseminação do Conceito Bobath no Brasil e também na Alemanha, na Suíça e na Argentina. Por sua carreira de estudo, dedicação e incansável luta pela dignidade da Fisioterapia, ela foi condecorada pelo Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 2ª Região (Crefito-2) na abertura de sua XII Jornada Científica.

Nascida em 1940, em Hannover, na Alemanha, Wiltrud Ingrid Monika Müller veio ao mundo durante a 2ª Guerra Mundial. Foi na cidade de Freiburg, ainda em seu país de origem, que ela obteve, em outubro de 1963, seu Certificado de Fisioterapeuta.

A partir de 1964, desenvolveu trabalhos em Centros de Reabilitação Neurológica na Alemanha. Sua vinda em definitivo para o Brasil, com naturalização como cidadã brasileira, aconteceu em 1970. A habilitação para exercício profissional da Fisioterapia no Brasil foi validada no Rio de Janeiro, onde se inscreveu no Crefito-2 no dia 29 de junho 1982. A partir de então, passou a atender no Consultório e Centro de Estudos Dra. Monika Müller, até o ano de 2005.

A profissional tem uma longa trajetória de dedicação à Fisioterapia, seja pela atuação ou pelo constante estudo, em busca do aprimoramento. Foi aluna na primeira turma do Curso Neuroevolutivo Bobath, ministrado em Londres pelo casal Karel e Berta Bobath, em 1967. Posteriormente, em Berna, na Suíça, fez sua formação como instrutora neste método. Com permissão pessoal da Sra. Bobath, trouxe a técnica para o Brasil: foi tutora do primeiro Curso Neuroevolutivo realizado no país, ministrado em Petrópolis-RJ.

Sua carreira tem muitas outras conquistas. É formada também como médica fisiatra (1984), tendo feito residência na Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro. De 1983 a 1985, fez curso de instrutora do Conceito Bobath para atendimento de Pacientes Adultos, na Suíça.  Obteve o título como Instrutor do Curso para Avaliação e Tratamento do Paciente Adulto Neurológico, nos Estados Unidos (1986). Tornou-se membro do International Bobath Instructors Training Association (1987); instrutora do Baby Course (1988); Senior Instructor do Curso Neuroevolutivo Bobath (1993); presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento e Divulgação de Conceitos Neurofuncionais (2003); e presidente da Associação Beneficente Michael de Petrópolis (2008). Fundou o Setor de Paralisia Cerebral no Instituo Fernandes Figueira, mantido durante cinco anos pelo seu Centro de Estudos.

Leia a entrevista e conheça um pouco mais desta profissional incansável que recebeu a Medalha Dr. Fernando Lemos, do Crefito-2.


Crefito-2: Como você recebe a notícia desta homenagem? Comente sobre a importância deste reconhecimento por parte do Conselho.

Dra. Monika Müller: O momento da escolha da profissão foi muito especial para mim. Recebo com gratidão a homenagem. Considero a mesma como um reforço da minha missão na vida. Sinto-me integrada neste Brasil imenso, lindo, que possui um potencial enorme. Nasci no meio da guerra e trabalhei minha vida inteira pela paz, pelo entendimento na classe profissional, pelo trabalho em equipe e intercambio internacional.


Crefito-2: O que mais marcou sua vida como fisioterapeuta?

Dra. Monika Müller: Ver Mrs. Bobath fazer uma demonstração em Munique, na Alemanha.


Crefito-2: Quais os desafios do atual momento da Fisioterapia, em sua opinião?

Dra. Monika Müller: Levar os vastos conhecimentos disponíveis hoje em dia a uma prática de qualidade. Entender que a profissão é uma arte. A profissão de fisioterapeuta merece uma posição de dignidade e valorização, que possibilite que o este profissional tenha uma estabilidade de vida que lhe dê possibilidades de atualizar-se frequentemente.


Quais são suas perspectivas e anseios para o futuro da sua profissão?

Dra. Monika Müller:
Mais união da classe. Especializações mais eficazes, porém com foco de não perder de vista o ser humano como um todo. Batalhar para que qualquer classe da população tenha acesso a um tratamento de qualidade.


Que mensagem você daria para um fisioterapeuta em início de carreira ou um acadêmico de Fisioterapia?

Dra. Monika Müller:
Estudar, principalmente fisiologia; fazer estágios nas mais diversas especialidades. Dominar bem uma segunda língua. Fazer um estágio fora do país. Abraçar a profissão com calor humano.
Fisioterapeutas e acadêmicos precisam “abraçar a profissão com calor humano” Fisioterapeutas e acadêmicos precisam “abraçar a profissão com calor humano” Revisado by Faça Fisioterapia on 10:25 Nota: 5

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